"E não teria sido sábio se vocês os tivessem simplesmente deixado lá para que encontrassem, por sua própria sorte e esforços, o caminho para uma nova vida?"


"E que diferença faria? Naquele lugar eles viveram como escravos e uma vez estando lá, nada mudaria. Trazendo-os para cá, uma nova realidade em um novo ambiente pode conduzi-los a um novo tipo de vida... mais esperançosa e próspera e menos dolorosa. Não foi sábio o que fizemos, mas ao menos demos a eles esperança"

Klauth chega ao Abismo.

O Velho Rosnado ascendeu como jamais qualquer outro dragão foi capaz. A sombra de seu espírito tornou-se a sombra sobre os demais antes que ele, altivo e indiferente à própria morte, pousasse. Em silêncio, o Velho Rosnado foi recebido, mas mesmo ele sabia que olhares de mofa já o aguardavam.

Tu julgas que podes olhar para Klauth, elfa-dragão? O que um arremedo de imortal faz na morada daquele que é Klauth?

Os olhos de Nalavarauthatoryl acenderam-se como brasa.

Mal chegaste e tomas para ti a coroa? Quem neste plano de não-existência escolheu-te meu amo e senhor?

Mais rápido do que o Flagelo de Cormyr poderia esperar, o Velho Rosnado caiu sobre ela e suas presas enterraram-se furiosas na superfície espiritual da garganta de Nalavarauthatoryl. Estivessem em Toril, Klauth estaria agora saboreando o fundamentum draconis servido ainda pulsante dentro daquele corpo.

Eu imagino - provocou a dragonesa - quantos, com toda esta tua fúria arrastaste contigo ao Abismo.

Klauth lembrou. Seu corpo envenenado, enfraquecido, usurpado de seu poder enfrentando os vermes mortais. A caçadora de dragões, o celeste, o portador da chama, o anão... aquele anão... a súbita sensação de ter sido derrotado. Seu urro de cólera fez-se ouvir e as bases dos planos tremeram. Não pelo oceano de sua ira que havia esgotado naquela vertente primal de ódio que corria tempestiva de sua garganta e ensurdecia as estrelas, mas pelo vazio de vingança que restou após aquilo. Seus olhos confessavam a Nalavarauthatoryl um plano tão sórdido, que a elfa-dragão arrependeria-se de um dia ter sido quem é.

Klauth arremessou-a para o lado como uma criança que desapega-se instantaneamente de um brinquedo.

Klauth te perdoa; tu que não és nada! 

Eu sou Nalavarauthatoryl, a Vermelha; a Dragão Diabólica!!!, esbravejou ela.

Pois saibas que Klauth irá ensinar-te o real significado da palavra diabólico. Vem tu! Ensinar-te-ei o verdadeiro nome de Io. Hoje tu conhecerás Asgorath, O-Que-Molda-Mundos.

Asgorath?! Nalavarauthatoryl tremeu. Teria a ira do Velho Rosnado chegado a esse ponto? Chegaria ao fim o reino dos deuses?

Sammaster.

Meu senhor, Klauth foi derrotado!

O lich não podia crer no que ouvia.
Impossível!

Não, meu senhor, eu lhe asseguro que é possível e que foi feito em seu covil! As circunstâncias foram espetaculares, mas eu presenciei tudo.

O cultista secular não queria acreditar naquilo. Nada nas palavras de seu servo fazia sentido. O Velho Rosnado... morto?!

Tchazzar, já sabe disso?

Talvez, meu senhor. Tudo é possível quando se trata do deus-dragão.

Havia muito a se pensar, mas qualquer coisa capaz de matar Klauth em seu covil era digna da atenção de Sammaster.

E o covil?

Um dragão dourado o tomou.

Dourado? Isso não nos ajuda em nada.

O senhor do Culto do Dragão perscrutava sua mente em torno de todos os segredos possíveis. Aventureiros de tal porte faziam de Elminster Aummar um bufão de Cormyr. Isso não era bom. O Culto precisava de mais poder. Sammaster precisava de mais poder.

E as buscas?

Nossa última informação é que estava em Menzo antes dela ser invadida. Depois disso perdemos o rastro do artefato.

Servo estúpido. Se tivesse um coração, Sammaster diria que desejava de todo o seu coração matar aquele estúpido cultista que não lhe trazia nenhuma notícia de seu agrado. Aproximou-se do servo e, quando a morte dele parecia clara na imaginação do lich, uma ideia sobrepôs-se ao rio de sangue e a massa disforme de carne e ossos.

Muito bem, combateremos poder com poder. Avise aos líderes de todas as células que eles possuem até o final da dezena para estar aqui. E mande mensageiros aos mais poderosos. Eu quero Alasklerbanbastos, Aurgloroasa, Dretchroyaster e Xavarathimius. Avise-os de que há caçadores de dragão em busca de saquear seus tesouros e que nós localizamos os pretensos ladrões. Isso os fará vir o mais rápido possível.

Aqueles nomes causavam pavor no cultista que tudo ouvia e anotava. As ordens de Sammaster não deviam ser desconsideradas.

Quando o servo deixou sua câmara, Sammaster abriu seu grimoire. Não havia mais tempo. Detestava apressar seus planos, mas quem quer que fossem os tais aventureiros, seria tolice ignorar. Seus estudos astronômicos indicavam que o momento ainda não era propício. Ele ainda não tinha o poder de mover as estrelas.

Ergueu-se de uma vez, enfurecido. A cadeira foi arremessada contra a parede e reduzida a pedaços de madeira, o grimoire caiu ao chão pesadamente enquanto o lich gritava de fúria.

O servo batia à porta freneticamente clamando por seu senhor. Estava tão perto, Sammaster pensava. Foi quando olhou para o chão e os ventos da danação eterna folhearam o grimoire e mostraram-lhe o caminho. As órbitas onde deveriam estar seus olhos foram tomadas pelo mais sinistro brilho esverdeado.

Você, prepare a câmara sacrificial!

Ouviu passos se afastando apressadamente. Sim, é verdade que não sabia que inimigos eram esses, mas logo não importaria mais. Por que deter-se? Por que apegar-se a um corpo decrépito quando ainda podia ascender mais e mais. Sim, tomaria o próximo passo. Aquele que nem o infame Szass Tam teve coragem de tomar: Sammaster, o demilich!

É momento de seguir
A estrada feita pelo crepúsculo
Onde da terra brotam torres de menir
Como a coluna de um colosso

É chegado nosso tempo
Tempo de luta e desejo
Enquanto, além da luz,
Nos moveremos pelo covil do fogo

Ao limite do mundo seguiremos
Estaremos lá entre fogo e cinzas
Rodeados de magia e fúria
Encarando a ancestral morte vermelha

Realidades cairão
Mas nossa vontade não arrefecerá
Quando a fumaça cobrir nossos olhos
Nossa fé indicará o alvo.

Estaremos no limite de nossas forças
Lá entre fogo e cinzas
Rodeados de magia e fúria
Encarando a ancestral morte vermelha

A fumaça encherá nossos pulmões
Arcano e milenar fogo queimará nossa pele
Ficaremos deslocados e sufocados
Mas triunfaremos além de todo cansaço

Por isso digo: venha, meu amigo
Segure minha mão e sinta a cura
Afie sua espada, prepararei meu escudo
Grite sua conjuração que o protegerei dos danos

Porque quando a sombra de nosso oponente
Cobrir o brilho que vem do céu
Eu serei o Escudo que trará o Crepúsculo
E banhará de sol toda a Toril

Fogo nos cobrirá como o inferno
Explosões arcanas valsarão
Clamores serão gritados pelas cinzas
E nossa esperança e coragem fará uma ponte
Que nos guiará através de um mar de fúria e um continente de ódio
Para a vitória eterna

Vindo dos céus, a queimante chuva de lava
(Hálito podre do dragão)
E morreremos e viveremos nessa hora

Nossos corações baterão devagar
Ferido, o Velho Rosnado pensará no triunfo
Mas, vindos dos campos do outro mundo,
Antes de poder pensar
Como um Crepúsculo em Toril
Nos ergueremos, Escudos!
Banhando o inimigo com nossa vitória
E assim, finalmente, retornaremos para casa.

Klauth

Male great wyrm red dragon CR 25

Colossal dragon (fire)



40d12+400 (722 PV)
Init +4 . Spd 40 ft., fly 200 ft. (clumsy) . AC 46, touch 7, flat-footed 46

Full Atk
+49 melee (4d8+17, bite) and +45 melee (4d6+8, 2 claws) and +44 melee (2d8+8, 2 wings) and +44 melee (4d6+25, tail slap)
Face/Reach 40 ft. x 80 ft./15 ft.

Breath weapon (70 ft. cone of fire, save DC 40)
crush, frightful presence, spell-like abilities, spells, tail sweep

Special Qualities blindsight, darkvision 1,200 ft., DR 20/+3, dragon traits, fire subtype, immunities, low-light vision, SR 32; AL CE

Saving Throws Fort +32, Ref +22, Will +30

Habilities Str 45, Dex 10, Con 31, Int 26, Wis 27, Cha 26

Skills and Feats Appraise +28, Bluff +42, Climb +27, Concentration +53, Diplomacy +56, Gather Information +18, Hide 6, Intimidate +22, Jump +57, Knowledge (arcana) +51, Knowledge (Sword Coast North geography) +51, Knowledge (Sword Coast North history) +51, Listen +53, Move Silently +10, Scry +31, Search +51, Sense Motive +18, Spellcraft +48, Spot +53, Wilderness Lore +18; Alertness, Cleave, Delay Spell, Enlarge Spell, Flyby Attack, Hover, Improved Initiative, Power Attack, Snatch, Weapon Focus (claw), Wingover.

Breath Weapon (Su) Klauth can breathe a 70-foot cone of fire that deals 24d10 points of damage (Reflex DC 40 half). Once he has used his breath weapon, he must wait 1d4 rounds before doing so again.

Crush When flying or jumping, Klauth can land on opponents as a standard action, using his whole body to crush them. His crush attacks are effective only against large or smaller opponents, though he can attempt normal overrun or grapple attacks (grapple bonus +73) against larger opponents. A crush attack affects as many opponents of the appropriate size as can fit under his body. Each potentially affected creature must succeed at a Reflex save (DC 40) or be pinned, automatically taking 4d8+25 points of bludgeoning damage on that round and each round thereafter that the character remains pinned.

Frightful Presence
This ability takes effect automatically when Klauth attacks, charges, or flies overhead. It affects only opponents with 39 or fewer Hit Dice or levels within a radius of 360 feet. Each affected creature must make a successful Will save (DC 38) to resist the effect. On a failure, a creature with 5 or more Hit Dice or levels becomes shaken for 4d6 rounds, and a creature with 4 or fewer Hit Dice or levels becomes panicked for 4d6 rounds. Success indicates that the target is immune to Klauth's frightful presence for one day.

Spell-Like Abilities 12/day -- locate object; 3/day -- suggestion; 1/day -- discern location, find the path. Caster level 19th; save DC 18 + spell level.

Spells Klauth can cast spells as a 19th-level sorcerer.

Tail Sweep Klauth can sweep with his tail as a standard action. The sweep affects Medium-size or smaller creatures within a half-circle with a diameter of 40 feet, centered on his rear. The sweep automatically deals 2d8+25 points of bludgeoning damage (Reflex DC 40 half).

Blindsight Klauth can ascertain creatures by nonvisual means (mostly hearing and scent, but also by noticing vibration and other environmental clues) to a range of 360 feet. Invisibility and darkness are irrelevant, though he still can't discern ethereal beings. He usually does not need to make Spot or Listen checks to notice creatures within range of his blindsight ability.

Fire Subtype Klauth is immune to fire damage, and he takes double damage from cold unless a saving throw for half damage is allowed, in which case it takes half damage on a success and double damage on a failure.

Immunities Klauth is immune to fire, paralysis, and sleep.

Low-Light Vision Klauth can see four times as far as a human in starlight, moonlight, torchlight, and similar low-light conditions.

Sorcerer Spells Known (6/8/8/8/8/7/7/7/7/4; save DC 18 + spell level): 0 -- dancing lights, detect magic, disrupt undead, ghost sound, mage hand, mending, open/close, ray of frost, read magic; 1st -- expeditious retreat, identify, mage armor, shield, true strike; 2nd -- bull's strength, darkness, detect thoughts, Melf's acid arrow, web; 3rd -- clairaudience/clairvoyance, haste, lightning bolt, vampiric touch; 4th -- improved invisibility, scrying, solid fog, stoneskin; 5th -- Bigby's interposing hand, Mordenkainen's faithful hound, nightmare, wall of stone; 6th -- chain lightning, disintegrate, guards and wards; 7th -- banishment, ethereal jaunt, prismatic spray; 8th -- maze, power word blind, protection from spells; 9th -- wail of the banshee, wish.

Klauth has used wish spells to remove spells he knows from his repertoire to make room for different ones, so his spells known tends to change seasonally.

Possessions Wand of magic missile (9th level, 20 charges), wand of lightning bolt (8th level, 25 charges), wand of ice storm (7th level, 11 charges), wand of fireballs (8th level, 31 charges), wand of polymorph other (7th level, 16 charges), wand of hold person (10th level, 23 charges), wand of dispel magic (10th level, 13 charges), ring of minor cold resistance, ring of wizardry II, ring of protection +5. Klauth has many more magic items in his lair. If he is prepared for battle and has knowledge of his foes, he arms himself appropriately.


Ishmael estava preocupado. Ele perpassava as últimas horas em sua mente e era como se dias tivessem corrido, tendo o duro peso de eras inteiras. Culpou a si mesmo por não ter ido procurar Sairus quando este havia sumido de sua vista. "Ele sabe se cuidar", pensara, "vai encontrar o caminho até nós", estava certo, mas essa confiança custara mais do que ele poderia esperar.

"Nunca separe um grupo", as palavras fortes de Ivanuir soaram como um martelo espancando forte a madeira de suas lembranças.

Ivanuir. Ele via seu grupo treinando com Lithanm e lembrou de seu mestre e pai de criação. Eles lutavam contra o elfo e sentiam a frustração da derrota, mas também o prazer do embate, a alegria do aprendizado, a excitação frente a um oponente mais treinado. Sentira esse mesmo misto de sentimentos anos atrás, mas Ivanuir, na época, era mais duro, como se a vida de Ishmael dependesse de seu bom desempenho ali na arena com ele. Não poderia estar mais certo.

O grupo atacava Lithanm ao mesmo tempo, mas não como um grupo. Ishmael percebeu isso e sentiu que deveriam aprender a atuar junto, com as qualidades de um eclipsando os defeitos do outro. "Para que o grupo não se separe", suspirou.

Sairus arriscou um combate sozinho com o elfo. Um embate interessante, com o ranger mostrando técnicas que Ishmael não o vira fazer até então. Sumindo da visão do paladino que, quando voltou a vê-lo, lembrou dele junto da segunda caravana na fuga de Myth Drannor, quando o guerreiro sagrado entendeu a mentira do ranger em um sorriso. Um sorriso que soou no coração de Ishmael como um crânio sendo quebrado. As palavras de alerta de Amalia - que tanto custou em fazê-lo entender - provaram-se verdadeiras em poucos segundos com argumentos bem mais discretos. A longa discussão com o anão e o guia da outra caravana, os argumentos confusos, mas certos, que esperança nenhuma traziam, mas que tentavam, desesperadamente, colocar o tempo dentro de sua linha esperada, a fim de evitar de maneira quase ridícula que algo pior acontecesse. Em vão, a interferência já acontecera, restava aceitar as consequências.

"Carrega culpa demais no coração, Ishmael", a voz de Mystrander fisgou-o de seus pensamentos, enquanto Sairus enfrentava Hawke.

"Como mudaram tanto?", falou Ishmael virando o rosto para Hawke e Lithanm.

"Morreram e reviveram, assim como você em muitas vidas além dessa", respondeu ela com seriedade, olhando para além da alma de Ishmael.

O paladino lembrou daquele olhar quando se reencontrara com a exéquia de Labelas pela segunda vez - que também era a primeira - no corredor antes de enfrentarem o Culto do Dragão, antes de Amalia destruir os portais e ele corajosamente reunir aquela incompreensível fonte de magia criada e tentar conter seu avanço, tendo Danika como moldadora da esfera de "tempo", antes de ele tentar evitar que seus amigos morressem por aquele processo... antes de tudo dar errado e eles retornarem aos dias da queda de Myth Drannor, fazendo com que suas ações no passado os levassem a essa nova jornada ao ninho de Klauth, um dragão que ele só conhecia por canções de assustar crianças.

"Você sabe o resultado dessa jornada, não é mesmo?", perguntou ele a Mystrander.

"Sim e não. Eu vejo os milhares de desdobramentos. Cada decisão de vocês, por menor que seja, fecha e abre possibilidades.", respondeu ela.

Ishmael apertou os lábios e franziu o cenho, virando a cabeça na direção da exéquia. Ela, por sua vez, viu mais de mil possibilidades em como aquela conversa terminaria.

"Fale-me sobre Amaunator", disse ele e os dois começaram a conversar.

* * *

Algum tempo depois, Ishmael sentou ao lado de Amalia. A barda sentiu como se o paladino estivesse com o coração cansado e a mente ansiosa. Ela se perguntou se aquilo era próprio dos destinados "tocados pelos planos" ou algum traço individual de sua própria personalidade. Ele, por sua vez, perguntou a ela:

"Poderia me ajudar a treinar canto?" e havia humildade e alguma melancolia em seu tom de voz.

"Não prefere preparar-se para nosso desafio manejando armas?" perguntou ela, sorrindo.

"Amanhã talvez. Hoje eu preciso que a arte acalme meu espírito" respondeu ele.

Amalia sorriu e começou a tirar algumas notas de seu instrumento musical, balbuciando baixinho uma canção de forma de Ishmael conseguisse entender como postar seu canto.

Durante aquele instante ele deixou suas preocupações saírem em sua canção. Vislumbrando em sua inspirada canção o futuro que os aguardava.