1480 CV

"Tem momentos da vida em que se pode perder a esperança. O simples lampejo de uma verdade dessas, no entanto, me desespera. Perder a esperança pra mim é perder toda a razão de viver, todos os porquês de fazer o que faço, é negar o destino que me foi dado. Eu acredito em destino. Acredito piamente que nossas vidas estão entrelaçadas a algo maior, e que tudo está conectado de alguma forma improvável e muitas vezes impossível conceber. Afinal, somos mortais, nem sempre devemos saber tudo. Seu antepassado, Ishmael, pensava exatamente assim.


'Um arco lunar que surgiu no céu quando o inclemente sol mandava seus caçadores foi um sinal de esperança para ele. Um ranger de Selune surgindo quando ele se sentia mais perdido ou bons e familiares amigos o encontrando no momento em que estava mais solitário eram sinais. O beijo e o abraço da mulher de sua vida, então... Fagulhas de esperança que brilharam como estrelas quando o destino pareceu impor obstáculos maiores que o esperado. Quando sua armadura foi despedaçada e o escudo estilhaçado, a esperança estava em algumas palavras... penso na sensação de Mirklo naquele momento... as histórias não falam essa parte, mas sempre fui curioso quanto a isso. De qualquer forma, Ishmael conseguiu um tempo até o grande embate entre ele e o campeão de Lathander. E tempo, meu querido, era um grande grito de esperança para o paladino.'

'E depois, pai, o que aconteceu?'

'Um grupo novo se formou naquele momento. Ishmael, Sairus, Arween, Thorngeir e o clérigo de Tempus, cujo nome me escapa agora. Eles adentraram em reino élfico - o sinal em forma de lua -, tendo tempo para descansar e se recompor. Ishmael recebeu a notícia da morte de Ivanuir e este pesar o deu mais força em seguir sua jornada. A morte dos velhos heróis é a continuação da jornada dos novos, meu filho, nunca esqueça. Enfim, eles seguiram por uma cidade em ruínas, que respirava ainda o pesar de uma grandiosa batalha. Espectros de um passado desconhecido revelaram parte do assalto ao local e o fantasma de um antigo conhecido os guiou para o coração subterrâneo de uma torre, onde vozes incompreensíveis criavam um clima de terror e assombro. Ao aparente fim do caminho, uma porta fechada com pedras, e depois dela um salão com uma ponte e um rio que seguia calmo.'

'Um desafio pequeno frente ao que eles haviam ultrapassado, certo? Não, meu filho, e com essa lição aprenda... o demônio está nos detalhes. Nos pequenos cuidados que devemos tomar, nas certezas falsas, na pressa da ação sem um mínimo pensar prévio, na confiança excessiva e na falta de cuidado. Talvez se eles tivessem verificado a qualidade do nó de Sairus, se Ishmael tivesse retirado sua armadura, se o clérigo da guerra tivesse levado em consideração as palavras do paladino para poupar a prece de luz...'

'A verdade é que após segundos de obstinadas decisões, Sairus e Ishmael caíam na água, as armaduras atrapalharam sua movimentação e rápido levava-os para baixo. Thorngeir pulou para ajudá-los, mas era como um cego em uma rua movimentada procurando por assistência. Arween ainda tentava retirar a armadura quando o clérigo arremessou a pedra iluminada no rio e o grande olho de Lathander se fez presente naquele lugar, com a voz do Sol Eterno ecoando e fazendo tremer aquele lugar... Ishmael! Finalmente o encontrei!'

'Oh não, papai... eles... eles morreram?'

'Bem, meu filho, o resultado disso você só vai saber amanhã. Boa noite, agora.'

'Boa noite, papai. Pai...?'

'Sim?'

'Eles vão sobreviver, né?'

'Você tem esperança que sim?'

'Tenho papai.'

'Então eles vão.'"

This entry was posted on 4.28.2014 at 15:14 and is filed under , , , , , . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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