Aproxime-se, pequeno lorde. O que deseja de mim, preso à essa pretensa imortalidade?

O ódio semicerra os olhos do pequeno dragão.

Sim, eu reconheço esse olhar, esse desejo por reparação. Somos reis tratados como vassalos.

O silêncio do mais jovem é a muralha de desconfiança que o secular espírito tenta transpor.

Você sabe, não sabe? Já fomos senhores de tudo, mas nossos deuses e nossos próprios irmãos nos abandonaram. Aquela espada é a prova do que digo. Você podia ouvir o sangue de dragões clamando dela?

Curiosidade. Ira. Indiferença simulada. Fome e sede... de vingança.

Sim, eram matadores de dragão. A antiga heresia. Os que ousam ferir os herdeiros dessa terra. Você viu, não viu? De que outra maneira poderia haver tanta precisão em seus golpes?

A garra fantasmagórica repousava agora sobre o peito. Se ali houvesse o fundamentum draconis, a garra agora o protegeria. O olhar do jovem tornou-se o banquete do ancião.

Você não tem muito tempo. Homens não duram para sempre. Nem mesmo os odiosos elfos são eternos. Eu não poderei sair daqui, mas serei sua pedra fundamental. Eu não poderei ser sua arma, pequeno lorde, mas irei ser a bainha da sua ira. Eu não poderei renascer, mas serei seu espírito e seu ímpeto.

A pequena sombra aproximou-se sem adentrar o alcance do fantasma.

Bom, muito bom. Ambição e prudência devem estar juntos. Agora deixe que eu lhe conte uma história antiga de quando fomos covardemente destronados pelo povo belo.

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