Estou marchando a horas? Dias? Meses? Aguço minha visão mas só vejo árvores e mais árvores quilômetros a frente.

A lembrança de uma última batalha, de um último golpe. Certeiro. Fatal. A armadura finalmente pesou e arrastou o corpo para o chão. Mas porque insisto em marchar?

Missão cumprida, soldado. Volte para casa!

Finalmente me acho em pensamentos. A visão de um cadáver ardendo em chamas amarrado a um tronco surge a minha frente. O metal derretendo contra uma a carne carbonizada torna tudo ainda mais hediondo.
Não há casa para se retornar. A missão nunca acaba. Sempre existirá algo a se proteger.

As orbes vazias do crânio começam a irradiar uma tênue luz dourada. Como se o morto lentamente abrisse os olhos para encarar a alma diante de si. A luz intensifica-se e varre tudo ao seu redor, revelando e expulsando tudo o que se vale das sombras para ocultar-se. Diante de mim agora está não mais um corpo em funeral bizarro, mas uma armadura maciça em ouro. Punhos serrados à altura do peito seguram o cabo de uma imponente espada bastarda. As pesadas manoplas não deixam dúvidas.

O guardião jamais descansa.


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